quarta-feira, 2 de março de 2011

EXPECTATIVAS

Quem já não esperou uma atitude de uma pessoa e ela não fez o que você esperava? A primeira reação é de raiva, depois a frustração e por fim, a tristeza, a revolta. Mas, você já reparou que só se frustra porque esperou demais da outra pessoa?

            Isto se chama expectativa. Está relacionada ao quanto colocamos de nossos próprios desejos e de nossas próprias limitações nos ombros da outra pessoa. Às vezes, nem nos damos conta do reflexo do que somos nas atitudes ou nas palavras que esperamos dos outros.

            Acontece desde a mãe que espera realizar seus sonhos na vida dos filhos, na carreira, na profissão ou mesmo no amor. A não realização de alguns sonhos e o sentimento de impotência da mãe em superá-los, para aproveitar o que a vida tem de bom, pode conduzir o filho a escolher carreiras ou profissões que não goste e fá-lo-á infeliz. Pode levá-lo a um relacionamento por interesse e é como um círculo vicioso, onde a individualidade não é respeitada e todos acabam sofrendo.

            Assim também acontece  com as amizades, quando achamos que o amigo tem que estar sempre do nosso lado, sem respeitar sua família, seus problemas e suas próprias limitações.  A maior dificuldade é aceitar o outro como ele é, sua maneira de ser, vendo-o como um ser humano que está aqui para aprender, exatamente como eu. Ninguém nasce para servir ninguém nem para ser objeto de afago ou de abandono. Para isso, existem os animais domésticos. Pessoas são para serem respeitadas em sua condição de filhos do Universo, colocadas aqui nesta vida para aprender, para crescer e para compartilhar tudo isso como iguais.

            Não espere demais de ninguém! Deixe que a pessoa faça as suas escolhas. Conselhos são bons, mas não devem ser imperativos, para realizar aquilo que nós queremos. Cada um só dá aquilo que sabe, que conhece, que aprendeu. Se assim não fosse, qual seria a razão para tudo que acontece no mundo???




DO BOM E DO MELHOR

(Leila Ferreira) 

 

Estamos obcecados com "o melhor". Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor". Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho. O bom, não basta. O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor".

Isso até que outro "melhor" apareça - e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer. Novas marcas surgem a todo instante. Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter.

O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego. Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter. Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos.

Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários. Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis.

Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente: se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência? Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai  me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa? E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto? O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o "melhor chef"? Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro? O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"?

Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixado ansiosos e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos. A casa que é pequena, mas nos acolhe. O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria. A TV que está velha, mas nunca deu defeito. O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens "perfeitos". As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar a chance de estar perto de quem amo. O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem. O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer. Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso? Ou será que isso já é o melhor e na busca do "melhor" a gente nem percebeu?


Leila Ferreira é jornalista mineira com mestrado em Letras e doutorado em Comunicação que, apesar de doutorada em Londres, optou por viver uma vidinha mais simples em Belo Horizonte.




DECLARO-ME VIVO!

Chamalu – Índio Quechua)

 

Saboreio cada momento! Antigamente me preocupava, quando os outros falavam mal de mim. Então, fazia o que os outros queriam e minha consciência me censurava. Entretanto, apesar do meu esforço para ser bem educado, alguém sempre me difamava. Como agradeço a essas pessoas, que me ensinaram que a vida é apenas um cenário. Desse momento em diante, atrevo-me a ser como sou.

A árvore anciã me ensinou que somos todos iguais. Sou guerreiro, minha espada é o amor, o meu escudo é o humor, o meu espaço é a coerência, o meu texto é a liberdade. 

Perdoem-me se a minha felicidade é insuportável, mas não escolhi o bom senso comum. Prefiro a imaginação dos índios, que tem embutida a inocência. É possível que tenhamos que ser apenas humanos. Sem amor, nada tem sentido, sem amor estamos perdidos, sem amor, corremos de novo o risco de estarmos caminhando de costas para a luz...

Por esta razão, é muito importante que apenas o amor inspire nossas ações. Anseio que descubras a mensagem por detrás das palavras. Não sou um sábio, sou apenas um apaixonado pela vida. A melhor forma de despertar é deixando de questionar se as nossas ações incomodam aqueles que dormem ao nosso lado.

A chegada não importa, o caminho e a meta são a mesma coisa. Não precisamos correr para algum lugar, apenas dar cada passo com plena consciência. Quando somos maiores do que aquilo que fazemos, nada pode nos desequilibrar. Porém, quando permitimos que as coisas sejam maiores do que nós, o nosso desequilíbrio está garantido.

É possível que sejamos apenas água fluindo; o caminho terá que ser feito por nós. Porém, não permitas que o leito escravize o rio, ou então, em vez de um caminho, terás um cárcere.

Amo a minha loucura que me vacina contra a estupidez. Amo o amor que imuniza contra a infelicidade que prolifera, infectando almas e atrofiando corações. As pessoas estão tão acostumadas com a infelicidade, que a sensação de felicidade lhes parece estranha. As pessoas estão tão reprimidas que a ternura espontânea as incomoda, e o amor lhes inspira desconfiança. A vida é um cântico à beleza, uma chamada à transparência. Peço-lhes perdão, mas Declaro-me Vivo!




terça-feira, 1 de março de 2011

Bondade está na moda?

Bondade está na moda? Crianças boazinhas passam a impressão de que estão com medo ou são meio "lerdinhas". Por que isso? Porque os contravalores que a sociedade está construindo e a mídia, divulgando, são outros. Vence quem é o melhor. Ser mais rápido mais esperto ou mais forte é o alvo dos jovens empreendedores. As mensagens divulgadas estão impregnadas dessas idéias, enquanto as que valorizam o bom caráter, nem sempre aparecem.

Minha avó já dizia "minha neta, vá brincar com aquele menino, ele tem caráter". Eu ia. Mesmo sem saber o que realmente isso significava. E as brincadeiras eram muito legais. A gente se divertia e muito. Quando eu brincava com alguém que não merecia esse titulo, logo desistia. Eram brincadeiras de empurrar, bater, sacanear alguém, jogar pedras em cachorros, quebrar vidraças e etc... Parecia diversão, mas não era. Ficava aquele gostinho de "eu não devia estar fazendo isso". Minha consciência pesava...

Fazer o mal a alguém ou a algum animal para se divertir não estava certo, nem no passado e nem hoje. Ninguém precisa da dor do outro para rir. Podemos rir de tantas coisas. Podemos rir de nós mesmos e das nossas trapalhadas. Humilhar alguém para aparecer na turma do "Bulling", para ser mais popular, não é o caminho ao qual devemos incentivar as pessoas.

Como ensinar os valores corretos? Falando, explicando, dando o  exemplo  e mostrando o que é a humilhação, mostrando a dor do outro e fazendo as pessoas refletirem a respeito. Esse é o começo. Além disso, podemos incentivar e elogiar todas as vezes que as pessoas apresentarem algum comportamento solidário, honesto e de caráter. Isso os fará perceber que o caminho para o sucesso está na construção e não na destruição, está em agir de forma  a aproximar as pessoas ao invés de afastá-las.

Falando sobre contratação ou demissão, como é difícil acertar.Um dos critérios que se utiliza hoje em dia para demitir ou promover é a forma como o funcionário fez amigos ou inimigos dentro da empresa. Tem pessoas que não ajudam realmente a ninguém, são egoístas e egocêntricas. Ficam esperando elogios ao invés de trabalhar e levar outros consigo para a vitória, pois querem vencer sozinhos. Esses não permanecem muito tempo nas empresas. Os que ficam são aqueles que têm amigos, batalhadores, que elogiam os colegas quando acertam e criticam quando erram. Mas o fazem sempre para o bem do próximo. Crescem porque desde a infância aprenderam a valorizar o próximo.

Conclusão: Faça para os outros o que você quer que façam para você!!!




--

AMO PESSOAS...

 

Amo pessoas que acordam no meio da noite, só para escutar o barulhinho da chuva no telhado: elas sabem ouvir o canto de Deus.

Amo pessoas que fazem do presente um caminho para o futuro, com algumas trilhas secundárias e até alguns atalhos: elas entendem de liberdade.

Amo pessoas que escrevem sua história sem ignorar os borrões, mas fazendo deles uma lição de vida: elas jamais serão esquecidas.

Amo pessoas que posso chamar de amigos, que vêem mais qualidade que defeitos em mim: elas enfeitam dia-a-dia o caminho que trilho.

Amo pessoas que sabem conviver, tolerando o que for intolerável, encontrando uma justificativa para resgatar a harmonia: elas entendem de perdão.

Amo pessoas de todas as idades, essas que não sabem a idade que têm, que são velhos, adolescentes, crianças... Elas sabem se encaixar no tempo.

Amo pessoas que quando perdem a fé, engravidam o coração e conseguem parir um novo, para ensinar e aprender. Elas sabem que não se perde para nós mesmos.

Amo pessoas que cantam no chuveiro, que se olham no espelho, se acham lindas e sorriem para a imagem devolver o sorriso. Elas com certeza receberão sorrisos, sem espelhos...

Amo pessoas que valorizam riquezas só do espírito e ignoram a miséria das almas. Elas entendem que pobre é aquele coitado, que só possui bens materiais.

Amo pessoas que cuidam da natureza, que espalham sementes, plantam árvores e florescem o mundo. Elas colherão frutos doces, independente das estações.

Amo pessoas de mãos generosas no doar, no afeto e no receber, elas entendem que o presente fica em parte com quem recebe, que fica mais com quem doa.

Amo pessoas que não têm medo de se arriscar, de mudanças, de finais sem recomeço. Elas jamais dirão: como seria, se eu tivesse tido coragem...

Amo pessoas que ficam olhando o horizonte de bobeira, que deitam na grama para olhar as nuvens passar ou contar estrelas. Elas conhecem e muito, de paz!

Amo pessoas que não gostam de julgar, gente preguiçosa, que legam a Deus essa tarefa. Elas sabem que ele resolve tudo, no tempo Dele e não no delas.

Amo pessoas que misturam pais, filhos, netos, primos, tios, avós, que brigam, se desculpam e que não se separam. Elas sabem a importância da família.

Amo pessoas que escutam os passarinhos quando cantam, que olham o sol quando se levantam e que brincam de faz-de-conta como crianças. Elas sabem que ser feliz é simples.

Amo pessoas que estimam os animais, sem olhar a raça, que afagam suas cabeças como um amigo. Elas sempre serão recebidas com uma lambida de carinho.

Amo pessoas que soltam bolinhas de sabão, pipas coloridas e param para ouvir a música do realejo. Elas brincam com a criança interior da alma e a impedem de crescer.

Amo pessoas que iluminam o olhar diante da pessoa amada, que beijam na boca e não estão nem aí para a plateia, para julgamentos ou ridículo. Elas amam amar o amor!

Amo pessoas que não sabem odiar, que falam com anjos em qualquer lugar e sabem que eles ouvem, tanto que me pediram para escrever, que eles também as amam!




Almas perfumadas

(Carlos Drumond de Andrade)

 

Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta, de sol quando acorda, de flor quando ri.  Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.

Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça, lambuzando o queixo de sorvete, melando os dedos com algodão doce

da cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro e a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver. Tem gente que tem cheiro de colo de Deus, de banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo, sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal, do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.
Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza.
Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria, recebendo um buquê de carinhos, abraçando um filhote de urso panda, tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave  que sua presença sopra no nosso coração. 

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa, do brinquedo que a gente não largava, do acalanto que o silêncio canta, de passeio no jardim.
Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo, corre em outras veias, pulsa em outro lugar.

Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está conosco, juntinho ao nosso lado e a gente ri grande que nem menino arteiro.
Tem gente, COMO VOCÊ, que nem percebe como tem a alma perfumada!
E que esse perfume é dom de Deus.


 




MULHER


Criada por Deus com características únicas, com muitas finalidades e capaz de muitas realizações, a mulher sempre foi vista como sexo frágil, submissa, sem opinião própria. Cantada em verso e prosa pelos homens, que enalteceram sua fragilidade e sua beleza, mal sabiam eles que a mulher pode muito mais do que parece...

Na atualidade, as mulheres seguem carreiras próprias, são mães, esposas e filhas, acumulam cargos de responsabilidade com as tarefas domésticas mais comuns. Mas não perdem sua beleza, nem a feminilidade, em qualquer profissão que se disponham a seguir.

Vemos muitas mulheres em cargos de chefia, nas mais variadas situações, comandando empresas, no poder público ou na inciativa privada, tendo sob suas ordens legiões de homens, que até pouco tempo atrás, não se permitiriam serem comandados por uma mulher.

A mais recente conquista das brasileiras foi a Presidência da República, com a Presidente Dilma Roussef, a primeira mulher eleita para o mais alto escalão da política nacional. Então, a menina de hoje pode sonhar com qualquer futuro que puder imaginar. Ela pode chegar lá...

Claro que nenhuma conquista feminina se deu por acaso e sem muita luta. O Dia Internacional da Mulher foi criado para homenagear as mulheres que pereceram na luta por condições dignas de trabalho, ainda no início do Século XX.

Foi uma tragédia que permitiu às mulheres que vieram depois, alcançar possibilidade de trabalho igual aos homens, mesmo que até hoje os salários pagos não sejam sempre iguais. No poder público, onde as pessoas ingressam por concurso, os salários já são iguais.

Falta ainda o reconhecimento de que as mulheres, mesmo com dupla jornada, podem se desincumbir tão bem quanto os homens em todas as categorias profissionais. Falta também respeito à mulher justamente pela diferença, porque estamos juntos neste mundo para nos completar, homens e mulheres, e não para disputar o mesmo espaço.

Parabéns, Mulher são-bentense, pelo seu dia, pela sua luta e pelas suas vitórias. Lembre-se: você pode!