quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

ENSINANDO RESPONSABILIDADE


Grande pensador dos nossos tempos, Içami Tiba deixou-nos sábias orientações sobre família, maternidade, paternidade, educação de filhos e diversas outras temáticas muito relevantes. Iniciado o ano escolar, providencial foi a postagem, em sua página oficial, de um trecho de seu livro Disciplina – Limite na Medida Certa.

Confira abaixo:

"As mães que carregam as mochilas dos filhos estão lhes ensinando que cabe a eles curtir a vida enquanto a elas cabe a responsabilidade de tudo.

A atitude correta seria cada filho carregar o que lhe fosse possível e a mãe ajudasse naquilo de que o filho precisar. E ela teria mais tempo de conviver com os filhos, caso não se escravizasse em benefício deles.

E o pai, que vê a mãe carregando tudo? Por que deixa isso acontecer? Quando é ele quem leva os filhos à escola nem se dá ao trabalho de descer do carro.

E, se descuidar um pouco, é capaz de nem conversar com eles durante o trajeto, pois precisa ouvir as notícias pelo rádio. Esse tipo de pai deve abrir os olhos.

E também os ouvidos para o que os filhos falam. Mais ainda: abrir os braços para ajudá-los no que precisarem."

(Içami Tiba, livro: Disciplina – Limite na medida certa)

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

CASA ARRUMADA


"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade."


Casa arrumada  é assim:

Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas.. Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida...

Casa com vida é um lugar onde as pessoas gostam de ficar, porto seguro para voltar quando algo não vai bem... Mesmo que seja a casa da mãe, da avó, do amigo mais chegado...

Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar. Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.

Sofá sem mancha? Tapete sem fio puxado? Mesa sem marca de copo? Tá na cara que é casa sem festa. E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.

Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde. Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto... Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda. A que está sempre pronta pros amigos, pros filhos, pros netos, pros vizinhos...

E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente. Arrume a sua casa todos os dias... Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela... Com as pessoas que você gosta e que também gostam de você! E reconheça nela o seu lugar.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

AMAR É UMA DECISÃO



AMAR É UMA DECISÃO

A inteligência sem amor, faz-te perverso.
A injustiça sem amor, faz-te implacável.
A diplomacia sem amor, faz-te hipócrita.
O êxito sem amor, faz-te arrogante.
A riqueza sem amor, faz-te avaro.

A docilidade sem amor, faz-te servil.
A pobreza sem amor, faz-te orgulhoso.
A beleza sem amor, faz-te ridículo.
A autoridade sem amor, faz-te tirano.
O trabalho sem amor, faz-te escravo.
A simplicidade sem amor, deprecia-te

A oração sem amor, faz-te introvertido.
A lei sem amor, escraviza-te
A política sem amor, deixa-te egoísta.
A fé sem amor, deixa te fanático.
A cruz sem amor converte -se em tortura.
A vida sem amor...não tem sentido.

Assim disse o Sábio: Amar é uma decisão, não um sentimento;
amar é dedicação e entrega. Amar é um verbo e o fruto dessa ação é o amor.
O amor é um exercício de Jardinagem:  arranque o que faz mal, prepare o terreno, semeie, seja paciente, regue e cuide.

Esteja preparado porque haverá pragas,secas ou excesso de chuvas, mas nem por isso abandone o seu jardim.  Ame o seu par, ou seja, aceite-o, valorize-o, respeite-o, dê-lhe afeto e ternura, admire-o e compreende-o. Isso é tudo. Ame!!!



quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A vida

(Vitor Ávila)


"Foi superando as minhas tempestades e vencendo os meus medos que aprendi a oferecer abrigo à quem pouco longe estava do perigo.

Foi quando olhei para dentro de mim verdadeiramente que passei a enxergar o outro como parte do todo. Como meu irmão de alma apesar das diferenças.

Foi observando cada um dos meus passos que percebi que meu passado não poderia ser apagado (e ainda não pode).

Eles são pedaços meus, sementes que plantei.
Algumas vezes esqueci de regar meu jardim e senti falta do perfume das flores, da suavidade das rosas.
Nunca fui obrigado a fazer nada que não queria graças a minha liberdade e escolha por ser o que minha alma sussurrava.
Ofereci ternura e calmaria e nem sempre recebi em troca gratidão, muito menos consolo. Tenho aprendido com o tempo que reciprocidade é para quem entende a intenção do irmão, é para quem tem esperança nos olhos e empatia como espelho.
Minha vida nem sempre foi fácil e nem é pra dizer bem a verdade, nem toda colheita é boa e às vezes a chuva e também o calor em demasia fazem meus olhos jorrarem e deixam-me aflito.

Nem sempre sou o melhor que posso, mas estou lutando dia após dia para vencer meus erros e não deixar minhas verdades machucarem o próximo.
Acho que eu sou o próprio tempo, o tal aprendizado.  É coisa de sentir, pois é. Eu sou." (de Vitor Ávila - Minha Vida)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Por que as folhas caem?


 

(Letícia Thompson)

 

A cada outono, certas plantas e árvores preparam-se para um repouso

necessário e vital à sua vida e continuação.

Algumas espécies de árvores matizam-se de várias cores, num maravilhoso contraste entre a melancolia e a beleza extrema. Depois, uma a uma, as folhas caem, como lágrimas, até que as árvores, nuas e tristes, abram os braços ao inverno e esperem, pacientemente, a primavera, que restaurará cada folha caída.

Por que para nós seria diferente? Por que não perder antes de reencontrar, por que não as lágrimas, por que não dias áridos, frios e

secos? E por que não a esperança de que a primavera volte? Porque,

creiam, ela volta sempre!

Talvez nos julguemos bons demais para receber o sofrimento, como se ele fosse sempre símbolo de castigo e não algo necessário ao nosso crescimento.

As folhas caem e as árvores parecem assim tão desprotegidas, tão

solitárias!... e eu me pergunto o que faz com que sobrevivam.

Elas entendem que esse período é necessário à sua renovação. Elas

aceitam, doam-se e esperam e recebem de volta, no tempo oportuno.

Assim somos nós com todas as perdas que sofremos, com as lágrimas que

escorrem e salgam nossa boca, com o tempo que parece interminável ou as noites longas demais.

Tanto que não entendemos e não aceitamos o sofrimento, ele se

prolongará. Tanto que não vemos isso como uma fase, apenas uma fase, a

ferida estará aberta e sangrará.

Não aceitar o outono e negar o inverno não faz com que não existam.

Apenas nos deixam fora de uma realidade que chega pra todo mundo.

Não somos maus demais para recebê-los como um castigo e nem bons demais para que possamos não acolhê-los.

As árvores perdem as folhas e perdemos os nossos. Elas choram e choramos também. Elas esperam e nada há que nos impeça de esperar.

E elas recebem, a seu tempo determinado, novos galhos e novas folhas,

novas flores e novos frutos. Sentem-se assim completas.

Somos assim o que somos e o mesmo Deus que sustenta as árvores, nos

sustenta a nós!

E Ele nos poda, nos molda, nos deixa nús e aparentemente sem defesa, mas está sempre presente e estará ainda quando a primavera voltar, quando seremos, depois do inverno frio, renovados e prontos para recomeçar.

 

 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Criança antiga - Para o Dia da Criança


Madô Martins* publicado na RUBEM

Tão perto do Dia das Crianças, lembrei de uma crônica escrita em 2003 exatamente para uma edição especial sobre a data e para as homenageadas, que trago de volta para ser lida ou relida. Tinha como título: "O poema de Carlinhos". Aí vai:

E como hoje é seu dia, criança, é para você que escrevo neste domingo. Já ouviu falar no poeta Carlos Drummond de Andrade? É um velhinho careca, magro e de óculos que você deve ter visto num quadro ou livro da biblioteca da escola. Se não viu, peça para a professora mostrar.

Pois bem, esse velhinho, que já morreu, foi criança um dia, como você. E quando cresceu, começou a escrever poesias – aquele jeito diferente de contar histórias sem falar muito – e deixou para a gente uma lembrança de seu tempo de menino, feita em versos.

Carlos era um garoto que morava no campo e gostava muito de ficar lendo as aventuras de Robson Crusoe, um herói antigo, bem diferente dos que hoje você vê na tevê ou nas revistas em quadrinhos.

Robson Crusoe viajava pelo mar, mas seu navio afundou. Nadou até uma ilha desconhecida, juntou os restos do navio que as ondas levaram para a praia e conseguiu sobreviver, sozinho. Em folhas de papel que deixou secar ao sol, começou a escrever um diário.

Pensava que era o único homem na ilha, quando encontrou uma espécie de índio, que morava lá, não usava roupas nem falava sua língua. E como isso aconteceu numa sexta-feira, passou a chamá-lo por esse nome. O viajante e seu amigo viveram muitas aventuras, todas contadas no tal diário, que virou o livro que Carlinhos lia e admirava. Às vezes, queria ter uma vida agitada como a de seu herói.

Na fazenda, tudo era calma e rotina. A mãe ficava costurando na sala, enquanto ele brincava e o irmãozinho dormia, tranquilo, no berço. Uma certa hora do dia, a "preta-velha" chamava para o café – e ele lembrava da voz dela, fazendo-o dormir com cantigas de ninar. Era a hora do lanche, que a cozinheira preparava com carinho.

Seu pai chegava com a noite, depois de um dia de trabalho na roça. Carlinhos não podia vê-lo da janela, mas sabia que o tempo todo ele estava lá, naqueles campos sem fim que rodeavam a casa. E olhando tudo aquilo, a sala, a mãe, o irmão bebê, a cozinheira, o mato, sentindo o calor do fogão a lenha, tendo nas mãos o livro preferido e no coração a certeza que o pai logo ia chegar, o menino entendeu, e nunca esqueceu, que sua vida era muito, muito melhor do que a de Robson Crusoe.

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Madô Martins é escritora e jornalista, com 12 livros publicados e mais de 600 crônicas impressas aos domingos no jornal A Tribuna, de Santos/SP. Na RUBEM, escreve quinzenalmente às sexta-feiras.

http://rubem.wordpress.com/2014/10/10/crianca-antiga-mado-martins/

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Conceito de desenvolvimento sustentável

"Aquele que satisfaz as necessidades da geração presente sem comprometer a habilidade das gerações futuras satisfazerem as suas necessidades." Foi cunhado em meados dos anos 80 no relatório Nosso Futuro Comum produzido por uma comissão internacional liderada pela então primeira Ministra da Noruega, Gro Brundtland, daí o relatório ser também conhecido por Relatório Brundtland.

Este relatório se tornou uma espécie de livro-texto ou referência histórica sobre os conceitos, princípios e diretrizes do desenvolvimento sustentável. Entre suas recomendações estavam:

- limitação do crescimento populacional;
- garantia de recursos básicos (água, alimentos, energia) em longo prazo;
- preservação da biodiversidade e dos ecossistemas, diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias com uso de fontes energéticas renováveis;
- aumento da produção industrial nos países não-industrializados com base em tecnologias ecologicamente adaptadas;
- controle da urbanização desordenada;
- integração entre campo e cidades menores e
- o atendimento das necessidades básicas (saúde, escola, moradia).