segunda-feira, 21 de março de 2011

Não tem, não dá, não pode...


(Luiz Marins)

Pergunto à balconista se na loja tem tal produto. Ela diz: "não tem". Pergunto ao eletricista se dá para colocar uma tomada extra junto à geladeira. Ele diz: "não dá". Pergunto ao advogado se tal coisa pode ser feita. Ele diz: "não pode". Já recebi muitos "não tem, não dá e não pode" que tinham, davam e podiam. De preguiça de procurar o produto no estoque, o balconista diz que não tem. De preguiça de arrastar a geladeira, subir no forro e puxar a dita tomada, o eletricista diz que não dá, que a rede não suporta a carga. De preguiça de consultar a jurisprudência, o advogado diz que não pode.

Se batermos o pé e ficarmos firmes em nossa decisão, vemos que não era bem assim. "Ter, tem", me disse o balconista, "mas está lá no alto…". "Que dá, dá", me disse o eletricista, "mas o seu forro é baixo demais". "Poder, pode", me disse o advogado, "mas eu não conheço bem a legislação trabalhista".
Todas as vezes que alguém lhe disser não tem, não dá e não pode, desconfie e confira. Pergunte novamente e insista e você verá que muitas vezes tem, dá e pode.

A maneira mais fácil de fugir de uma responsabilidade ou de um serviço é dizer não. E você conhece as dezenas de variantes destes não tem, não dá e não pode. É a secretária que diz que já ligou centenas de vezes e não encontrou a pessoa. É o motorista que diz que não dá tempo de fazer a entrega naquele dia. É a costureira que diz que é impossível fazer aquela barra de saia. É o dentista que diz que aquele seu dente, só extraindo mesmo. É o médico que afirma que isso é caso de cirurgia e não tem outro jeito. É o mecânico que diz que o motor de seu carro está fundindo e que não pode fazer nada e o auto-elétrico que diz que aquela lâmpada queimada de seu carro não existe mais. Será que é verdade?

É sempre mais fácil dizer não tem, não dá, não pode, assim como os famosos não sei, não vi, não conheço, não estava lá, não é da minha alçada, não é da minha área ou do meu departamento.

Será que não estamos sendo vítimas de pessoas pouco comprometidas em solucionar nossos problemas, simplesmente dizendo não tem, não dá, não pode? Será que em nossa própria empresa isso acontece? Será que nós próprios não dizemos não tem, não dá, não pode, quando o tem, o dá e o pode exigem muito trabalho e um comprometimento extra? Pense nisso. Sucesso!


segunda-feira, 14 de março de 2011

FATALIDADE...

FATALIDADE..

 

Mesmo pelo próprio sentido da palavra, que já encerra um conceito de finitude, não nos conformamos com algumas coisas que acontecem, diante das quais nos sentimos impotentes...

Como o acidente que aconteceu na Quarta-feira de Cinzas, com a aluna Deyse, da UDESC. Não cabe discutir de quem foi a culpa, porque a vida dela não se recupera mais. O que deve nos indignar é o desrespeito às leis, o fato de que vemos este tipo de coisa todos os dias e quase se tornou normal. A banalização da violência, em todos os segmentos, acaba fazendo com que o cidadão "se acostume" com as notícias e não preste mais atenção. Sempre achamos que não vai acontecer conosco...

Portanto, quero deixar minha solidariedade para com a família e os amigos que estão sofrendo com a perda da Deyse, de maneira tão trágica. Podem ter certeza de que ela gostaria que a vida continuasse, do modo como ela a encarava, com alegria, com bravura, com garra e com determinação.

Deyse permanecerá sempre em nossos corações, na nossa lembrança, como a pessoa querida e maravilhosa que ficou conosco por uma temporada, mas que com certeza vamos encontrar de novo num outro momento.





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TENHA IDADE, MAS NÃO SEJA VELHO

Poupe um pouco para sempre ser independente financeiramente. Não precisa ser muito, não comprometa o prazer que o dinheiro pode lhe dar em razão de um tempo maior de velhice, que pode até não acontecer se você morrer breve. Além disso, um idoso não consome muito, além do plano de saúde e dos remédios.  Provavelmente, você já tem tudo e mais coisas só lhe darão trabalho.

Pare também de se preocupar com a situação financeira de filhos e netos, não se sinta culpado em gastar consigo mesmo o que é seu de direito. Provavelmente, você já lhes ofereceu o que foi possível na infância e juventude, assim como uma boa educação. Portanto, a responsabilidade agora é deles. Não seja arrimo de família, seja um pouco egoísta, mas não usurário.

Tenha uma vida saudável, sem grandes esforços físicos. Faça ginástica moderada, alimente-se bem, mas sem exageros. Tenha a sua própria condução até quando não houver perigo...

Nada de estresse por pouca coisa. Na vida tudo passa, sejam os bons momentos que devem ser curtidos, sejam os ruins que devem ser rapidamente esquecidos.

Namore sempre, independente da idade, com sua "velha" companheira de caminhada. O amor verdadeiro rejuvenesce. As "Maria-gasolina" estão por aí, e um idoso, mesmo da classe média, é sempre uma garantia de futuro para as espertalhonas.

Esteja sempre limpo, tome um banho diário pelo menos, seja vaidoso, frequente barbeiro, pedicuro, manicure, dermatologista, dentista, use perfumes e cremes com moderação e por que não uma plástica? Já que você não é mais bonito, seja pelo menos bem cuidado. Nada de ser muito moderno, tente ser eterno.

Leia livros e jornais, ouça rádio, veja bons programas na TV, acesse a Internet, mande e responda e-mails, ligue para os amigos. Mantenha-se sempre atualizado sobre tudo.

Respeite a opinião dos jovens, eles podem até estar errados, mas devem ser respeitados. Não use jamais a expressão "no meu tempo", pois o seu tempo é hoje.

Seja o dono da sua casa, por mais simples que ela possa ser, pelo menos lá é você quem manda. Não caia na besteira de morar com os filhos, netos ou seja lá o que for. Não seja hóspede, só tome esta decisão quando não der mais e o fim estiver bem próximo. Você está no período do ronco e da flatulência. Um bom asilo também não deve ser descartado e pode até ser bem divertido, e você irá conviver com a turma da sua geração e não dará trabalho a ninguém.

Cultive um "hobby", seja caminhar, cozinhar, pescar, dançar, criar gato, cachorro, cuidar das plantas, jogar baralho, golfe, velejar ou colecionar algo. Faça o que gosta e o que os seus próprios recursos permitam.

Viaje sempre que possível, de preferência vá de excursão, pois além de mais acessível, pode ser financiada e é uma ótima oportunidade para se conhecer novas pessoas. Aceite todos os convites de batizado, formatura, casamento, missa de sétimo dia, o importante é sair de casa.

Fale pouco e ouça mais, a sua vida e o seu passado só interessam a você mesmo. Se alguém lhe perguntar sobre esses assuntos, seja sucinto e procure falar coisas boas e engraçadas. Jamais se lamente de algo. Fale baixo, seja gentil e educado, não critique nada, aceite a situação como ela é. As dores e as doenças estarão sempre presentes; não as torne mais problemáticas do que são falando sobre elas. Tente sublimá-las, afinal, elas afetam somente você e são problemas seus e dos seus médicos.

Não fique se apegando em religião, depois de velho, rezando e implorando o tempo todo como um fanático. O bom é que, em breve, seus pedidos poderão ser feitos pessoalmente a ele.

Ria, ria muito, ria de tudo, você é um felizardo, você teve uma vida, uma vida longa, e a morte será somente uma nova etapa incerta, assim como foi incerta toda a sua vida.

 

 




quarta-feira, 9 de março de 2011

HONESTIDADE

Diante de tantas notícias que recebemos todos os dias, verificamos condutas impróprias para homens públicos, passando pela falta de atendimento aos menos favorecidos por que quem deveria dar a eles prioridade, chegando até àqueles que ludibriam o povo usando a sua esperança para auferir recursos indébitos: Governador recebendo dinheiro ilícito, outros superfaturando obras ou não entregando o objeto de desvio da verba, enfim, são tantas mazelas que o homem comum, com pouca instrução, para quem a palavra vale mais do que o papel, torna-se vulnerável a todo tipo de pilantragem.
Há pessoas que têm instrução, e no entanto, utilizam-se da margem da lei para permanecerem impunes e escaparem às suas responsabilidades. Estes, por não terem endereço fixo ou carteira assinada, ficam fora do alcance do longo braço da lei. Não adianta a lei, se ela não é cumprida e se as pessoas não têm nem mais medo de descumpri-la. Acham que estão sendo “espertos”, quando agem assim...
Alguns mais abusados, usam a boa-fé do povo e vendem a esperança... Todo tipo de conto-do-vigário, ou do pacote, são utilizados todos os dias pelos estelionatários de plantão, para enganar os idosos, os menos instruídos, os mais carentes. Vendem a promessa de ganho fácil e o pobre incauto se deixa levar...
O mais recente exemplo é o caso da aposta que não foi registrada e os ganhadores ficaram só com o papel. Não vão receber prêmio algum... Deve-se observar que antes de julgar o que aconteceu, devemos levar em conta que também o fator humano existiu neste caso. Alguém cometeu uma falha, que pode acontecer com qualquer um e em qualquer lugar. Julgar e condenar apressadamente não é o melhor caminho. Nivelar outros prestadores de serviço com este caso, por exemplo, também não é a melhor saída.
Antes de tudo, todos são inocentes até que se prove sua culpa, é o que nos diz a Constituição. Então, se você for abordado por alguém que não conhece, tiver uma dúvida quanto a uma conduta, não confiar no sistema, pare e pense. Deixe um pouco de lado, veja como as coisas se desenrolam, observe, seja precavido. Temos tanta modernidade em tudo hoje em dia, mas precisamos tomar cuidado do mesmo jeito.
A honestidade ainda existe. Há muitas pessoas honestas, corretas, honradas, e é por causa delas que devemos ter cuidado com nossos próprios atos e com nossos julgamentos. A sociedade costuma julgar o todo pelo erro de alguns e não é assim: o que é certo, a verdade, vai sempre sobrepujar o falso, o errado, a mentira. Não dizem que “Deus está vendo!”? Confiemos n'Ele, que a verdade vai aparecer...

quarta-feira, 2 de março de 2011

EXPECTATIVAS

Quem já não esperou uma atitude de uma pessoa e ela não fez o que você esperava? A primeira reação é de raiva, depois a frustração e por fim, a tristeza, a revolta. Mas, você já reparou que só se frustra porque esperou demais da outra pessoa?

            Isto se chama expectativa. Está relacionada ao quanto colocamos de nossos próprios desejos e de nossas próprias limitações nos ombros da outra pessoa. Às vezes, nem nos damos conta do reflexo do que somos nas atitudes ou nas palavras que esperamos dos outros.

            Acontece desde a mãe que espera realizar seus sonhos na vida dos filhos, na carreira, na profissão ou mesmo no amor. A não realização de alguns sonhos e o sentimento de impotência da mãe em superá-los, para aproveitar o que a vida tem de bom, pode conduzir o filho a escolher carreiras ou profissões que não goste e fá-lo-á infeliz. Pode levá-lo a um relacionamento por interesse e é como um círculo vicioso, onde a individualidade não é respeitada e todos acabam sofrendo.

            Assim também acontece  com as amizades, quando achamos que o amigo tem que estar sempre do nosso lado, sem respeitar sua família, seus problemas e suas próprias limitações.  A maior dificuldade é aceitar o outro como ele é, sua maneira de ser, vendo-o como um ser humano que está aqui para aprender, exatamente como eu. Ninguém nasce para servir ninguém nem para ser objeto de afago ou de abandono. Para isso, existem os animais domésticos. Pessoas são para serem respeitadas em sua condição de filhos do Universo, colocadas aqui nesta vida para aprender, para crescer e para compartilhar tudo isso como iguais.

            Não espere demais de ninguém! Deixe que a pessoa faça as suas escolhas. Conselhos são bons, mas não devem ser imperativos, para realizar aquilo que nós queremos. Cada um só dá aquilo que sabe, que conhece, que aprendeu. Se assim não fosse, qual seria a razão para tudo que acontece no mundo???




DO BOM E DO MELHOR

(Leila Ferreira) 

 

Estamos obcecados com "o melhor". Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor". Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho. O bom, não basta. O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor".

Isso até que outro "melhor" apareça - e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer. Novas marcas surgem a todo instante. Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter.

O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego. Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter. Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos.

Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários. Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis.

Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente: se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência? Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai  me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa? E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto? O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o "melhor chef"? Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro? O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"?

Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixado ansiosos e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos. A casa que é pequena, mas nos acolhe. O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria. A TV que está velha, mas nunca deu defeito. O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens "perfeitos". As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar a chance de estar perto de quem amo. O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem. O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer. Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso? Ou será que isso já é o melhor e na busca do "melhor" a gente nem percebeu?


Leila Ferreira é jornalista mineira com mestrado em Letras e doutorado em Comunicação que, apesar de doutorada em Londres, optou por viver uma vidinha mais simples em Belo Horizonte.




DECLARO-ME VIVO!

Chamalu – Índio Quechua)

 

Saboreio cada momento! Antigamente me preocupava, quando os outros falavam mal de mim. Então, fazia o que os outros queriam e minha consciência me censurava. Entretanto, apesar do meu esforço para ser bem educado, alguém sempre me difamava. Como agradeço a essas pessoas, que me ensinaram que a vida é apenas um cenário. Desse momento em diante, atrevo-me a ser como sou.

A árvore anciã me ensinou que somos todos iguais. Sou guerreiro, minha espada é o amor, o meu escudo é o humor, o meu espaço é a coerência, o meu texto é a liberdade. 

Perdoem-me se a minha felicidade é insuportável, mas não escolhi o bom senso comum. Prefiro a imaginação dos índios, que tem embutida a inocência. É possível que tenhamos que ser apenas humanos. Sem amor, nada tem sentido, sem amor estamos perdidos, sem amor, corremos de novo o risco de estarmos caminhando de costas para a luz...

Por esta razão, é muito importante que apenas o amor inspire nossas ações. Anseio que descubras a mensagem por detrás das palavras. Não sou um sábio, sou apenas um apaixonado pela vida. A melhor forma de despertar é deixando de questionar se as nossas ações incomodam aqueles que dormem ao nosso lado.

A chegada não importa, o caminho e a meta são a mesma coisa. Não precisamos correr para algum lugar, apenas dar cada passo com plena consciência. Quando somos maiores do que aquilo que fazemos, nada pode nos desequilibrar. Porém, quando permitimos que as coisas sejam maiores do que nós, o nosso desequilíbrio está garantido.

É possível que sejamos apenas água fluindo; o caminho terá que ser feito por nós. Porém, não permitas que o leito escravize o rio, ou então, em vez de um caminho, terás um cárcere.

Amo a minha loucura que me vacina contra a estupidez. Amo o amor que imuniza contra a infelicidade que prolifera, infectando almas e atrofiando corações. As pessoas estão tão acostumadas com a infelicidade, que a sensação de felicidade lhes parece estranha. As pessoas estão tão reprimidas que a ternura espontânea as incomoda, e o amor lhes inspira desconfiança. A vida é um cântico à beleza, uma chamada à transparência. Peço-lhes perdão, mas Declaro-me Vivo!